São palavras fortes e pessoas reais que me mostram que vale a pena continuar nesta mediocre vida. Que mesmo com tantos horrores entre o dia e a noite, a terra tem lugar pra gente que preste. Que as lagrimas vão dar lugar a sorrisos mesmo que deixem tão bonitos as expressões de quem chora pelo que valhe a pena, e mesmo que elas dem brilho ao rosto e aos olhos, as lagrimas iram secar e sessar para que sorrisos tortos chamem atenção da tão famosa felicidade.
“Vida longa ao cinza, e às tuas linhagens. Não me correspondo com outra cor senão esta. Tão linda e imaculada. diz tanto com o seu silêncio, com o teu mistério rústico e fiel; abandonadas sejam as cores, que fazem desse mundo um cenário tão corrompido de emoções inacabadas e humores ervergonhados. Se hoje o mundo é lastimável a tal ponto, é porque existem mais sorrisos do que felicidade, mais lágrimas do que tristeza, mais luto do que morte. São mais cores do que humores, pintaram seus muros que esqueceram de colorir seus corações. Dentro do cenário da vida, tudo se reduziu à ruínas, tudo apodreceu. Por isso sou cinza, por não usar a vida como oposto da morte, e sim como caminho para ela. Por isso sou cinza… por não querer amar, por não poder amar, por não fazer do amor algo necessário para meus sorrisos tortos e raros. Vida longa, ao cinza […].”
“Ventania forte, delatada por galhos secos agressivos batendo na grande janela de vidro. A madrugada vai se agonizando em sombras com o passar das horas. O céu parece estar tão perto, ao fácil alcance de meus olhos cansados. No chão de meu quarto pode se encontrar o meu corpo deitado, jogado pelo longo tapete preto de barbante, ao lado de minha destra há uma garrafa de vinho, que fora um inútil álibi pra uma tentativa de distração, que por um pequeno e ingênuo momento, achei que embriagando-me com generosas doses de álcool, poderia me fizer desligar a mente das preocupações e tormentos que enfestam minhas cabeça e alimentam minha —já rotineira— insônia; Claridades podem se ver, em reflexos ligeiros de relâmpagos distantes, tão distantes que nem se pode ouvir seus trovões ecoarem pelas campinas das cercanias daqui, e mesmo que chegasse aos meus tímpanos o barulho mais estrondoso do mundo, ainda sim não me perturbaria tanto quanto o silêncio que existe dentro de mim. Silêncio. Vazio. Uma bolha sem ar; Hipnose, êxtase, alma rasgada. Sinto meu corpo quente, mas minha pele está gélida como o mármore de um sepulcro. Meus olhos estão abertos, mas meu sentido de visão não reage a nada. Estou deitado, olhando para o teto iluminado pelos raios que já não são tão fortes… Eu, aqui, mas é como se não estivesse. Nasci, cresci, mas é como se já estivesse morto —talvez estivesse—, morrendo cada vez mais, a cada suspiro, pois a pressa de viver é o alívio dos fracos, e a paciência pelo fim é a virtude dos sábios. Na verdade, eu não tenho pressa de morrer, desde que depois disso eu tenha paz e possa dormir —pra sempre— sem medo de acordar para viver pesadelos reais, que brutalizam toda e qualquer vontade que tenho de me levantar desse chão para ser mais um fantoche alienado, vagando pela face mundo buscando respostas para filosofias baratas e tolas.
O chão é frio e me conforta, a vontade de permanecer aqui é absoluta, e não há nada nessa vida mais forte pra mim do que a vontade de morrer, ou qualquer coisa que me tire da vida, que seja bem longe disso tudo que faço parte todos os dias.
[…]
Fechei os olhos, e morri, de novo, mais uma vez, mais uma noite, mais uma vida.”
Voar para longe deveria ser o certo a fazer quando os problemas chegam, enganar a dor devia ser possivel. Mas é tudo tão complexo quando se fala de amor, é uma falte de sentidos que eu temo mais que a propria morte. São sonhos mostrando que o amor pode ser realmente bom, mas pesadelos provando o quanto ele é terrivel quando sentido por um só, quando deixado pra trás ou esquecido. E o amor não vai embora mesmo depois de lagrimas derramadas ele permanece, até o tempo decidir o momento certo de nos mostrar novos sentimentos.
“Escondo, em sorrisos e momentos de felicidade toda aquela dor que tão cedo não irá se libertar, procuro nos teus olhos encontrar o então pra sempre que prometestes. Mas logo vejo que assim como todo o amor que sentistes, ele também é falso… E por tanto tempo eu falei de dor mas hoje me calo hoje só a sinto, e vejo no espelho o reflexo de tanta dor por senti-lá. E mesmo assim meus olhos não se cansam de derramar lagrimas mesmo que as pessoas não valham a elas…”
— Pesadelos perfeitos.
“(…) Eu ouço você reclamar de si mesma. Falando que erra nisso e naquilo, que quer mudar mas não sabe como. Que se esforça, tenta dar um jeito mas não consegue. Mas se você quiser, se permitir que eu fique na sua vida pra sempre… se você deixar, eu te ajudo. Sério, eu sou paciente, não vou ficar te cobrando e mesmo não sabendo direito como fazer isso também, eu posso te ajudar. Além de que eu também tenho defeitos, se você quiser, me ajuda também. A gente pode seguir assim, se ajudando. Só se você quiser.”